Passaram-se vários anos desde então. Eu tive e tenho a grata alegria de ouvir três garotos falarem "pai" para mim. É uma experiência que nos faz ascender a outro nível. Mas muitas das vezes em que ouvi da boca deles um "pai" não estavam presentes carinho ou ternura. Algumas foram neutras, um mero chamado: "pai". Outras foram carregadas de um tom áspero, ríspido. O "pai" acompanhado de dor na voz também foi ouvido por mim, tantas e tantas vezes. "Pai" ajuntado a sorriso largo. Ah, que delícia!
Cada "pai" carregou a emoção do momento. Joelho ralado, presentes, entrega de boletim de escola, noite em hospital, andar de bicicleta, ver o mar e entrar nele, sofrer a mágoa que o pai causou, sofrer o desapontamento que o filho gerou, apartar, abraçar, beijar, amar, viver.Quando sonhei em ouvir "paaai", não fazia ideia de como seriam variados os modos e momentos em que ouviria essa palavra dirigida a mim. Aprendi com cada um deles e o curso ainda não acabou. Na verdade, jamais terminará. Paternidade não tem pós-graduação, mestrado ou doutorado. É uma graduação que nunca termina, pois nunca nos formamos.
Hoje ouço "pai" de meus filhos adolescentes. As variações emocionais que acompanham a palavra continuam. A caminhada da vida, minha e deles, continua. Com alegrias e tristezas, continua. Que continue com vocês, meus meninos, podendo também ouvir, um dia, "paaai". Que soe aos ouvidos de vocês com carinho, com responsabilidade. Que os erros que vocês viram em mim como pai sirvam para vocês serem pais melhores. Que prevaleça sempre o amor entre nós, como família, como pai e filhos.